Postos têm dificuldade na aquisição de combustíveis e distribuição pode ser transferida de Cabedelo para Suape

A crise vivida pela Petrobras começa a refletir no mercado de revenda de combustíveis e a Paraíba, assim como os demais estados do país, vem sofrendo a redução no abastecimento de combustível nos postos em razão da escassez de produtos derivados de petróleo, a exemplo da gasolina. A situação é tão grave que a distribuição dos produtos pelo Porto de Cabedelo pode ser extinta, a considerar que o complexo portuário já teve uma redução de 50%, conforme revela o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo na Paraíba (SINDIPETRO-PB), Omar Hamad Filho. “Até o final do ano, segundo informações da própria Petrobras, Cabedelo perderá a cabotagem para Suape, em Pernambuco, tendo como argumentos a racionalização dos custos e a centralização dos serviços”, disse.

 

Omar Hamad Filho adianta que a intenção da Petrobrás é concentrar em Pernambuco os procedimentos de recepção e distribuição dos combustíveis no Nordeste. “A Paraíba deixou de vender cerca de 10 milhões de litros somente no mês de junho com as reduções no fornecimento. Cabedelo recebia quatro navios com produtos (com 20 milhões de litros), mas agora recebe somente dois. Parte do que é utilizado na Paraíba vem de Pernambuco e isso poderá ser mais freqüente, porque a distribuição para vários estados da nossa região deverá ser 100% concentrada no Porto de Suape”, completa.

Para o presidente do SINDIPETRO-PB, os problemas com abastecimento na Paraíba existem desde o final de 2012. “Os consumidores nem sempre encontram o combustível que procuram nos postos porque há rodízio e revezamento na distribuição. Por exemplo, parte dos postos recebe gasolina aditivada, outros têm apenas a comum, alguns recebem uma quantidade de diesel um pouco menor, de modo que isso vem ocorrendo sempre”, observa.

As dificuldades com a distribuição dos combustíveis atingem todo o Brasil e um dos principais motivos diz respeito à logística, ou seja, nas formas de transporte e armazenamento dos derivados de petróleo. “Não vislumbramos solução em curto prazo para o problema”, garante o presidente do SINDIPETRO-PB que adverte o seguinte: “não temos providências concretas para resolver essas questões, de modo que a tendência é que fique ainda pior, podendo chegar a um conseqüente colapso no abastecimento de combustível nos postos paraibanos até o final do ano”, finalizou.