Estatal admite risco de faltar gasolina

A Petrobras já sinaliza que pode faltar gasolina em alguns postos do país. O problema está na escassez do álcool anidro, que é adicionado à gasolina na proporção de 25% e apresenta preços muito elevados. A afirmação foi feita ontem pelo diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa:

— O mais difícil (em termos de abastecimento) é o etanol anidro para ser misturado à gasolina. Se houver falta de gasolina, pode ser por causa disso.

No fim da noite, a Petrobras emitiu uma nota na qual negou o risco de falta de gasolina, frisando que Costa ressaltou apenas a pouca oferta de álcool no mercado. De qualquer forma, a empresa e o governo já estudam a redução do percentual de 25% do anidro na mistura, de acordo com fontes do setor.

Por sua vez, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, garantiu que não falta álcool anidro. Mas, segundo ele, a “dificuldade logística” na compra do produto em algumas usinas poderá atrasar “a entrega dos pedidos de gasolina” em alguns postos.

— O posto pode ficar eventualmente sem o produto porque os problemas logísticos podem gerar o atraso no atendimento em algum posto. Mas isso é pontual — disse.

A perda da competitividade do álcool hidratado — o etanol para abastecimento veicular — fez o consumo de gasolina aumentar muito nos últimos meses. E essa procura maior fez os preços do álcool anidro subirem para níveis recordes, já que a demanda cresceu num momento de oferta reduzida da cana-de-açúcar. Isso pode deixar, em breve, regiões do Brasil na posição atípica de não ter etanol suficiente para ser misturado à gasolina.

ANP realizará 11ª rodada em setembro ou outubro – A Agência Nacional de Petróleo planeja realizar a 11ª rodada de licitações de áreas para exploração de petróleo em blocos fora do pré-sal em setembro ou outubro. Essa previsão foi feita ontem pela diretora da agência, Magda Chambriard. Ela destacou, contudo, que a realização da rodada vai depender da aprovação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que se reunirá no próximo dia 28. Desde 2008, quando o governo anunciou as descobertas de reservas gigantes no pré-sal, a ANP não faz licitação de áreas para exploração.

Magda explicou que serão oferecidos apenas blocos na margem equatorial do país, que vão do litoral do Amapá até o Rio Grande do Norte, tanto em águas rasas como em profundas. Nesses blocos, as perspectivas são de existência de petróleo leve e de gás natural.

Já o primeiro leilão de blocos na área do pré-sal com o novo regime de partilha só deverá acontecer no próximo ano. Isso porque, segundo Magda, será preciso aguardar a aprovação no Congresso do projeto de lei que altera a distribuição dos royalties do petróleo. Ela participou ontem de uma audiência pública para discussão da minuta do contrato de concessão que será adotado na 11ª rodada.


Fonte: Jornal O Globo